Manutenção da Selic elevada impõe desafios ao mercado de crédito brasileiro

Em sua mais recente decisão, o Comitê de Política Monetária (Copom) optou por manter a taxa Selic em 10,5% ao ano, consolidando um cenário desafiador para a economia brasileira, especialmente no que diz respeito ao mercado de crédito. Esta decisão, amplamente esperada pelo mercado, traz implicações significativas para diversos setores econômicos, com destaque para serviços, varejo e agropecuária.

Para Utcho Levorin, sócio e diretor de gestão da Multiplica Crédito e Investimentos, a estagnação econômica combinada à manutenção dos juros em patamares elevados intensifica a pressão sobre os tomadores de crédito. “Com os custos de financiamento permanecendo altos, o acesso ao crédito para empresas e consumidores torna-se ainda mais difícil, o que tende a elevar os índices de inadimplência”, comenta Levorin.

Os setores de serviços e varejo são particularmente vulneráveis neste contexto. “Além de já enfrentarem um desempenho econômico fraco, sofrem ainda mais com os custos elevados do crédito. A manutenção da Selic em 10,5% implica em um aumento no custo do crédito, dificultando a operação e expansão das empresas desses setores”, explica o diretor da Multiplica.

Outro setor afetado, o agropecuário, que vinha apresentando bom desempenho até recentemente, agora enfrenta desafios adicionais devido às quebras de safra. “Recuperações judiciais, antes raras neste setor, estão se tornando mais frequentes”, acrescenta Levorin, destacando a crescente preocupação com a sustentabilidade financeira neste segmento.

A alta da inadimplência emerge como uma das principais preocupações derivadas da manutenção da Selic elevada. “Com a economia estagnada e os juros altos, a capacidade de pagamento dos devedores é comprometida, aumentando o risco de inadimplência. Isso repercute no mercado de crédito, tornando os bancos e instituições financeiras mais cautelosos na concessão de novos empréstimos”, alerta Utcho Levorin.

O cenário atual também impõe desafios ao setor financeiro, que adota uma postura mais conservadora. “A manutenção da Selic reflete a cautela do Banco Central diante dos riscos inflacionários e das incertezas econômicas. Contudo, isso implica em custos mais elevados de captação e uma maior aversão ao risco”, observa Levorin. Ele ressalta a necessidade premente de um controle fiscal mais rigoroso como condição essencial para uma melhoria do ambiente econômico e a redução sustentável da taxa de juros.

Olhando para o futuro, Utcho Levorin sugere que o mercado de crédito deve se preparar para um período prolongado de desafios. “A menos que haja uma significativa melhora no controle fiscal e uma redução consistente na inflação, a taxa Selic deverá permanecer elevada, mantendo o mercado de crédito restrito. Empresas e consumidores precisarão ajustar suas estratégias para navegar neste ambiente econômico adverso”, conclui o especialista da Multiplica.

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