Pandemia: cinco lições que o líder deve aprender com a crise

A pandemia com o novo coronavírus mostrou a todos que não é possível ter controle de tudo. A única certeza que se tem em relação ao futuro é que o amanhã vem aí. Como ele será? Não se sabe. Cenários imprevisíveis deixam as pessoas sem rumo e, às vezes, em completo destempero. É normal: o ser humano, quando nem tudo segue o caminho planejado, foge ou congela diante do medo.

O mesmo acontece com o líder, ainda que tenha cara de durão. Mas, como a teoria da evolução mostra, o medo é um importante fator de sobrevivência e resolução. Veja abaixo cinco dicas do escritor e empresário Andrea Iorio, sobre como o líder deve agir para não congelar diante desse medo, mas sim reagir à intensidade da crise.

1. Nutrir mente de principiante

O conceito é, basicamente, pensar como um iniciante, desprevenido e ingênuo. Ou ainda melhor, como crianças que observam o mundo sem preconceitos ou “vícios de olhar”. Elas jamais pressupõem que já sabem disso ou aquilo, mas sim, simplesmente, questionam e experimentam para aprender.

É assim que o líder deve encarar os novos desafios: em vez de achar que já entendeu tudo, que aprendeu tudo em seus anos de mercado e que sabe lidar com algo que é novo para todo mundo, resgate a curiosidade infantil de sempre ver o cenário com novos olhos. Adotar a mente de principiante faz com que tenhamos mais espaço para o conhecimento, desaprendendo e reaprendendo conforme as novidades se mostrem aos olhos.

Atente-se ao presente sem sentir a necessidade de buscar um sentido para os acontecimentos e suas consequências – ainda mais por ora, diante da imprevisibilidade do “novo normal”. Você não vai encontrar as respostas, simplesmente porque elas estão no futuro, e ele ainda não chegou. E, para não sofrermos como um “expert” – que vê o mundo desmoronar ao perder todas as referências que, até então, eram dadas como certas -, precisamos mesmo “acreditar que as peças vão se encaixar” no futuro.

2. Marchar e arrumar a cama todos os dias

O líder deve ter atitude maker, ou seja, a habilidade de executar sempre, por mais que seja tentador ficar só no campo das ideias, estratégias e planos cheios de firulas. As micro-ações tangibilizam os progressos. Se a marcha diária for clara, ainda que muito simples como ligar para cinco clientes, escrever um e-mail importante ou até lavar a louça em casa após o almoço, você poderá se recompensar se a meta for alcançada e dormir com a sensação de dever cumprido! Por sua vez, se sua marcha não for clara, você vai, vai, vai… e só se cobra por não ter chegado em lugar nenhum.

Portanto, arrume sua cama: pequenas coisas que podem mudar a sua vida. Esse é o título do livro escrito pelo almirante William McRaven. Em um trecho, ele diz: “se alguém não consegue realizar as pequenas coisas, nunca fará direito as grandes coisas. E, se por acaso você tiver um dia infeliz, voltará para sua casa e encontrará a cama arrumada, que você arrumou, e ela lhe dará o incentivo de que o amanhã será melhor.

3. Vir, ver e vencer

Quando se está no mar, não dá mais para olhar de onde se saiu. De fato, são águas passadas. Desejar o futuro é um direito, mas conquistá-lo depende de habilidades enquanto marinheiros. O que passou, enquanto aprendemos a remar, serviu para nos trazer até este ponto, e podemos ficar gratos por toda a experiência. Mas novos mares exigem novas e rápidas decisões.

Hoje, as pessoas estão acostumadas a tomar decisões de negócio como se estivessem dirigindo um carro olhando pelo retrovisor, ao invés de olhar para frente. Mas, calma, não há problema em consultar o passado. O verdadeiro problema está em depender dele para interpretar o presente. Desapega: isso não vai mais funcionar.

A crise de 2020 com o novo coronavírus é igual a um carro acelerando fora do controle e o motorista é o líder, é cada um de nós, cada qual a seu modo. Pela simples impossibilidade de controlar todas as variáveis, temos a sensação de não poder tomar decisões que nos preparem para o futuro. É preciso na vida ter coragem para entender e acreditar que incerteza e imprevisibilidade não significam, necessariamente, risco. E também ter coragem para desapegar das previsões e, livre das amarras do passado, se preparar para o que está por vir – o que quer que isso seja.

4. Mudar a forma conforme o desafio

O ser humano está acostumado a adaptar as circunstâncias ao que se quer delas e não ao contrário. É assim que as circunstâncias se revoltam contra nós, por não aguentarem mais. É preciso perceber, com urgência, que, na ausência de controle, somos nós que devemos nos adaptar às circunstâncias do mundo, e não o contrário.

O mundo é grande, variado, interconectado, complexo, com correlações escondidas e efeitos de rede, em que “o bater de asas de uma borboleta no Brasil pode causar um tornado no Texas”, parafraseando o Edward Lorenz, que com essa metáfora trouxe para o mundo a teoria do caos. Ela diz que uma pequena mudança no início de um evento qualquer pode trazer consequências enormes e absolutamente desconhecidas no futuro. Nossa adaptação precisa ser proporcional à intensidade da crise. E nem precisamos acrescentar que esta atual é enorme, né?

5. Treinar o músculo do amor

A imprevisibilidade do futuro traz consigo uma crise de significado sobre o que é ser humano, e ainda mais sobre o que ser líder. Está todo o mundo olhando para você. Ninguém pediu por isso, e também não se pode suplicar ao tempo que pare as máquinas do mundo porque queremos descer! Mas sabe o que dá para fazer? Levantar a mão e dizer aos times: “eu me sinto assim também”.

Os resultados de se abrir (e acolher) são surpreendentes. Sabe por quê? Porque as pessoas se sentem assim também, e vocês estão todos no mesmo nível, mesmo que com cargos diferentes. Chega de hierarquia: somos todos iguais, humanos.

Não tema a dor, mesmo porque, ainda com os aprendizados, reflexões e novas consciências, não significa que sairemos todos melhores e mais felizes da crise de 2020. Não se engane: momentos duros virão e vamos ter de processar o luto pelo tempo perdido como iguais. Para navegar por essa fase do “pós”, o mar aberto e desconhecido, precisamos de resiliência.

 

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